terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Lembrai-vos dos que sofrem...



"Lembrai-vos... dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fôsseis os maltratados" (Hb 13.3).
No livro O Sorriso Escondido de Deus, John Piper afirma que: "A estimativa de quantos cristãos são martirizados a cada ano ultrapassa qualquer capacidade de chorar como deveríamos". Tal situação deve-se também ao fato de que apenas 0,03% da igreja brasileira conhece a realidade desses cristãos ao redor do mundo. A perseguição atual é considerada a mais feroz dos últimos 100 anos e, de acordo com informações de Portas Abertas, 100 milhões de cristãos sofrem atualmente por causa do nome de Cristo. A intolerância religiosa cresce até mesmo em países considerados "livres". Notícias terríveis chegam diariamente; o grande desafio é saber como nós, cristãos livres, podemos ajudar nossos irmãos que ainda sobrevivem nesse contexto.
Coréia do Norte
Desde agosto de 1945, ao fim da Segunda Guerra Mundial, a península coreana foi dividida por uma linha invisível chamada Paralelo 38. De um lado, a Coréia do Sul com economia estável e governo democrático; do outro, a Coréia do Norte, atualmente a primeira colocada no ranking dos países que mais perseguem o cristianismo no mundo, não permitindo, em hipótese alguma, a liberdade política ou religiosa.
Apesar de a igreja na Coréia do Norte ter começado há cerca de 120 anos, é marcada hoje pelo martírio cruel daqueles que permanecem firmes na fé. Paul Estabrooks, autor do livro Fuga da Coréia do Norte, informa que, no ano de 2005, mais de 20 cristãos foram mortos em fuzilamentos públicos ou por espancamentos nos campos de prisão norte-coreanos. Foi de um ponto da divisa desse país que recebemos recentemente uma informação de um obreiro local. Ele foi despertado de madrugada com a notícia de que alguns homens que haviam cruzado o rio que divide a Coréia do Norte da China, com o objetivo de pregar o evangelho, foram pegos enquanto distribuíam certos "livros".
Do grupo, 28 foram torturados e mortos enquanto apenas dois conseguiram fugir e cruzar novamente o rio. Os que sobreviveram estão firmemente decididos a retornar ao local de risco e dar continuidade ao trabalho já iniciado. O clamor deles é para que haja intercessão! A maneira como esse homem termina seu relato tocou-me profundamente: Levantei-me para pensar e ligar pedindo ajuda. São 2h00 da madrugada. Tentei ligar; impossível, não consegui achar ninguém... Então decidi orar ao SENHOR e pedir que os ajude. Pedidos vêm da China e da Coréia. Meu coração está atribulado. O que eu faço? As pessoas imploram por Bíblias, por comida, por fundos. São duas da madrugada e permaneço clamando ao Senhor.
Índia
Em outro ponto do planeta, está a Índia, sétimo país do mundo em extensão, que abriga a segunda maior população do globo: mais de 1 bilhão de habitantes, extremamente religiosos, que adoram cerca de 33 milhões de deuses. Os hindus representam a maior parte da população, seguidos pelos muçulmanos e cristãos. Oito estados do país têm leis anticonversão que proíbem a conversão de hindus ao cristianismo.
A Índia ocupa hoje o 30º lugar no ranking de perseguição ao cristianismo. Ao nordeste do país, no estado de Orissa, no último dia 23 de agosto, foi morto um Swami – líder hindu - e quatro de seus seguidores. Apesar de o assassinato ter sido reivindicado por um grupo maoísta local, alguns setores mais radicais da comunidade decidiram apontar o dedo aos cristãos, dando início a uma severa perseguição. Várias pessoas foram regadas com gasolina e queimadas vivas; em alguns casos, perante o olhar de policiais que nada fizeram para controlar a situação segundo relatos de sobreviventes.
Os cristãos de Orissa estão preocupados não só com a intensidade e violência dos ataques, que não têm cessado, mas com a expansão da onda de perseguição a outras regiões da Índia. Alguns obreiros locais enviaram seus relatos (no mês de setembro de 2008): Mais de 600 igrejas foram demolidas, várias escolas, instituições, casas de oração e casas residenciais dos próprios cristãos foram atacadas e destruídas; cerca de 4 mil pessoas estão foragidas nas florestas, e alguns cristãos foram queimados vivos e cortados em pedaços; na última segunda-feira, um pastor indiano informou que 14 pastores foram mortos. O número de mortos em Orissa é de 90 pessoas, e 300 casas foram queimadas. Uma mulher grávida foi pega com o marido. Obrigaram-no a negar Jesus, e ele o fez, livrando-se assim do perigo. Quando mandaram que ela também o negasse, a mulher respondeu: "Eu não nego meu Jesus". Eles, então, esquartejaram-na na frente do marido. Infelizmente, na noite passada, alguns hindus voltaram a matar em outro estado chamado Karnataka... Queimaram cinco igrejas e mataram uma mulher grávida. Até o momento, a perseguição continua alastrando-se pela Índia, e, ontem, terroristas atacaram Nova Deli e explodiram bombas, deixando 20 pessoas mortas e 100 feridos.
Chellen, diretor de um centro pastoral que foi destruído por uma bomba, descreveu o ataque que recebeu de um grupo hindu: Derramaram querosene em minha cabeça; um deles tinha nas mãos um isqueiro com uma chama de fogo, mas, graças à providência divina, eles não fizeram o que intentavam no final. Foi muito difícil para nós assistirmos, à distância, à destruição do nosso centro, aberto em 2001, que tinha a capacidade de abrigar 200 pessoas. Fugimos para a selva, buscando refúgio na casa de um amigo. Fomos levados por um grupo armado de cerca de 50 hindus. Eles nos bateram, e fomos arrastados como culpados ao longo da estrada até o centro pastoral queimado. Ali, rasgaram minha camisa e começaram a tirar as roupas de nossa irmã. Quando eu protestei, eles me bateram muito com barras de ferro. Mais tarde, eles a levaram para dentro e a estupraram enquanto continuaram me chutando e humilhando, obrigando-me a falar palavras vulgares.
Chellen tem cortes, hematomas e machucados no rosto e em todo o corpo. O que Podemos Fazer?Quando olhamos para fatos como esses, nosso coração precisa contemplar dois aspectos: conhecimento e envolvimento. Quanto ao conhecimento, penso que podemos não somente sair da ignorância pessoal, mas também ajudar outros a tomarem a mesma atitude. O conhecimento, entretanto, é só o primeiro passo. Toda luz convida, de forma veemente, a uma ação responsável. Ouvindo hoje os gritos da Coréia do Norte e da Índia, você é conclamado a, antes de mais nada, ORAR. A Palavra diz em Salmo 2:8: "Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por tua possessão". É necessário pedir e, sendo esse um imperativo da parte do Senhor, deve ser observado com muito zelo e temor. Devemos dobrar o coração, chorar por nossos irmãos e irmãs em situação de risco e voltar as lágrimas àqueles que, por não conhecerem CRISTO, perseguem com crueldade seu Corpo.
Entretanto, como tudo em nossa jornada cristã, tal posicionamento depende de uma escolha. Eu já fiz a minha: QUAL SERÁ A SUA?
Mensagem de Orissa (5 de setembro de 2008): "Deus está no controle" Juria Bardhan, líder da missão Gospel for Asia (GFA - Evangelho para a Ásia) no estado de Orissa, sabe como é ser caçado por extremistas anticristãos determinados a matá-lo. Durante as últimas semanas de agosto e o início de setembro, ele viu dezenas de igrejas sendo totalmente queimadas. Viu também missionários e cristãos sendo espancados e mortos. Entretanto, durante todos esses horríveis ataques, um pensamento tem permanecido vivo dentro de Juria. "Sabemos que o Senhor está no controle", disse ele numa entrevista recentemente. Pode parecer um comentário ingênuo a ouvidos ocidentais, mas, para cristãos em regiões voláteis da Ásia, tem som genuíno. Lá, eles esperam perseguição e não paz. Sabem que seguir Jesus significa trazer problemas para si mesmos. Sabem também que, quando cristãos permanecem firmes diante de tais tribulações, muitos outros são encorajados a tomarem a mesma posição. "O melhor de tudo é que os próprios agressores reconhecem que, em Orissa, anteriormente, apenas 2% da população era cristã. Agora já somos 28%", disse Juria. "Eles não entendem que, quando nos atacam assim, a igreja cresce a largos passos, e que milhares de pessoas vêm a Jesus." Juria testemunhou que os pastores não têm reclamado do abuso que estão sofrendo. Pelo contrário, glorificam a Deus pela oportunidade de participar de seus sofrimentos. Embora as coisas tenham-se acalmado um pouco nas cidades, a perseguição continua com a mesma intensidade em regiões mais remotas.
Os cristãos de Orissa estão acostumados a maus-tratos, mas essa onda de ataques está sendo diferente. "Da última vez, a perseguição ficou restrita a um distrito. Durante os últimos seis meses, planejaram tudo, e, agora, nove distritos estão sob ataques", ele observou. De acordo com seu relato, seis pessoas foram mortas, e 27 igrejas associadas à missão GFA e mais de 800 casas de cristãos foram saqueadas e destruídas desde que a violência começou. Pelo menos 24 missionários da GFA foram atacados, alguns dos quais se juntaram aos milhares de cristãos que buscam refúgio nas florestas, onde permanecem sem alimentação ou abrigo adequados. O objetivo dos extremistas é "reconverter" os cristãos ao hinduísmo. Ameaçam as pessoas à ponta de faca, dizendo que serão mortas se não concordarem a oferecer pujas (orações e atos cerimoniais) a deuses e deusas hindus. Um missionário foi atacado e ameaçado por não ter cedido a essa exigência. Ele se recusou a negar Jesus e, por isso, foi espancado e ordenado a nunca mais pisar na aldeia em que estava trabalhando. "Mesmo que vocês me matem", ele respondeu aos agressores, "não posso prometer que não voltarei; isso não depende de mim, mas do Senhor. Se ele quiser me enviar para cá, então eu virei." Ele ficou um pouco abatido ao ver algumas das pessoas que ajudara no passado e por quem havia orado dispostas a matá-lo agora. Sua vida foi poupada, porém, quando um aldeão idoso, vendo seu forte compromisso com Deus, convenceu a turba a soltá-lo. Outro cristão deu a vida para não negar Jesus. Os extremistas tentavam obrigá-lo a participar de uma cerimônia hindu que incluía raspar a cabeça, cobri-la com estrume de vaca e sacrificar um cabrito. Quando recusou, foi morto e esquartejado.
Juria pede orações dos cristãos do mundo inteiro para que a paz volte a Orissa, e que as famílias possam retornar às aldeias; para que as pessoas escondidas nas florestas tenham saúde e segurança, e que as casas destruídas sejam reconstruídas. Pede oração também pela proteção dos missionários que representam o principal alvo de ataques extremistas.
Informação e fotos cedidas pela Missão GFA: www.gfa.org

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