terça-feira, 26 de maio de 2009

LIDERANÇA PASTORAL


O serviço legitima a autoridade

O sociólogo Max Weber fez uma distinção entre autoridade e poder. Deixando de lado a linguagem técnica de Max Weber, diríamos que poder é a faculdade de forçar as pessoas a fazerem o que o líder quer. Poder está mais relacionado à chefia do que à liderança. Já autoridade é a condição de influenciar e levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que o líder compartilha como sonhos e objetivos. Neste caso, os liderados atingem objetivos comuns com alegria.

Diante disso, até as empresas estão percebendo que, mais do que chefes, elas necessitam de líderes. Para influenciar, o líder precisa de autoridade. E é o serviço que legitima a autoridade que exercemos e, conseqüentemente, a boa influência. Em Romanos 13, Paulo diz que a autoridade existe para servir a Deus e servir as pessoas – o ministro é servo e a autoridade só é legitima quando ela serve. Assim, Deus age através de nós quando servimos as pessoas.
Autoridade é dada para o serviço

Foi assim com Jesus. Depois que Jesus foi batizado, como de costume ele entrou na sinagoga, e fez a leitura de Isaías 61: “O Espírito do Soberano, o Senhor está sobre mim, porque o Senhor ungiu-me para levar boas notícias aos pobres. Enviou-me para cuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar liberdade aos cativos...” Depois, devolveu o livro ao assistente e disse: “Hoje se cumpriu esta Escritura”.

Em Atos 10:38, quando Pedro fala na casa de Cornélio, ele diz que “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e poder, e que ele andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo Diabo, porque Deus estava com ele”. Para Jesus cumprir sua missão, Ele foi ungido com o Espírito Santo e recebeu poder e autoridade para servir.

Todo serviço de Jesus foi obediência ao programa estabelecido pelo Pai. A autoridade do Pai se manifestou na obediência do Filho. O filho honra o pai quando o obedece voluntária e espontaneamente. Jesus mostrou a glória do Pai no mundo pela obediência completa aos seus propósitos.

A autoridade de Jesus, conferida pelo Pai, era para servir. A autoridade que não serve não tem legitimidade. Foi por isso que num determinado momento, quando os apóstolos foram proibidos de pregar o Evangelho, eles disseram: importa obedecer a Deus que aos homens. Quando Martin Luter King desobedecia às leis de segregação racial nos Estados Unidos, por exemplo, ele sabia o que ele estava fazendo. Prendiam Luter King, colocavam-no na cadeia e ele não ficava amargurado, pois fazia isso conscientemente, porque as leis de seu país não serviam o ser humano e sim prejudicavam o ser humano. Em Isaías, capítulo 5, lemos: ai daqueles que decretam leis injustas! Portanto, a legitimidade da autoridade está no serviço que presta.

Atos, capítulo 1, diz que depois da ressurreição, Jesus apresentou-se aos apóstolos, e com muitas infalíveis provas discorria sobre o Reino de Deus, determinando que aguardassem a promessa do Pai, que está em Lucas 24:49 – “Permanecei em Jerusalém até que do alto sejais revestidos de poder”. Depois disso, os apóstolos, entusiasmados com o Reino, talvez mais uma vez pensando na possibilidade de um se assentar à direita, outro à esquerda de Jesus, falaram: “Senhor, este é o tempo em que vais restaurar o templo a Israel”? Jesus então foi claro: “Não vos compete saber épocas ou estações, que o Pai reservou para sua exclusiva autoridade, mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda Judéia e Samaria até os confis da terra”. Portanto, o poder do Espírito Santo que é derramado sobre a Igreja, sobre os cristãos é para servir. Não é para que os líderes se sirvam deste poder em benefício próprio. É para que sirvam a causa de Deus. E, quando não é assim, a autoridade não é legítima.

O exemplo extraordinário de Jesus

O texto de João 13, que relata instituição da Ceia, diz que Jesus sabia que o Pai havia colocado tudo em suas mãos, isto é, o Pai havia dado a ele toda a autoridade. Tendo tudo em suas mãos, poderíamos pensar que depois disso Jesus faria coisas extraordinárias para chamar a atenção de todo mundo, mas o que Ele fez logo a seguir foi levantar-se da mesa e colocar-se a lavar os pés dos discípulos, até mesmo do traidor, como bem conhecemos a passagem.

Esta atitude de Jesus, além demonstrar sua total obediência ao Pai, e manifestar a glória e autoridade do Pai no mundo, mostrou de fato que o Pai “tudo confiara às suas mãos”. Quando temos toda autoridade em nossas mãos, nossa tendência é fazer grandes coisas para “despertar o povo”, para realizar sinais, prodígios e maravilhas para que muitos nos sigam e corram atrás de nós! Mas não foi isso que Jesus fez. Nessa hora, ele foi lavar os pés dos discípulos. E com isso, nosso Mestre nos ensina uma lição profunda: o serviço legitima autoridade. Ele mostrou aos discípulos que os pagãos, os políticos é que agem achando que são dominadores daqueles que lhes foram confiados e mandam neles. Porém, entre os discípulos não deveria ser assim, ou eles não seria seus discípulos, pois Ele mesmo não o fez.

Se a finalidade do serviço não é cumprida, a autoridade pode ser retirada. Saul foi um moço que começou tão bem sua liderança, mas terminou mal. Foi desobediente e, ao invés de servir e fazer exatamente o que Deus o mandava fazer, ele começou a se achar tão importante a ponto de fazer as coisas de seu próprio jeito. A unção é dada para servir, se isso não acontece, retira-se a unção. Apesar de ter sido ungido por Samuel, Deus o rejeitou e levantou o profeta para que ungisse outro rei. Saul foi substituído por Davi.

Outro exemplo é o de Judas. Ele fez parte do colégio apostólico, estava entre os doze que receberam autoridade para pregar, para curar doentes, para expulsar demônios. No entanto, Judas, ao invés de usar a autoridade para servir, começou a usar autoridade para se servir. Então, Judas foi substituído por Mathias.

Líderes que usam autoridade para servir têm sucessores. Eles vão até o fim e passam o cajado. Líderes que se servem da autoridade para benefício pessoal são substituídos. Pois é o serviço que legitima a autoridade. Essa autoridade tem origem em Deus e o objetivo da autoridade é servir. Na Bíblia não está escrito “uma vez pastor, sempre pastor”. Se não serve, desqualifica-se.

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