domingo, 21 de fevereiro de 2010

Crianças que choram...

“Se eu pudesse eu dava um toque em meu destino

Não seria um peregrino nesse imenso mundo cão

Nem um bom menino que vendeu limão. Trabalhou na feira pra comprar seu pão.

Não aprendia as maldades que essa vida tem

Mataria a minha fome sem ter que roubar ninguém

Juro que nem conhecia a famosa funabem

Onde foi a minha morada desde os tempos de neném

É ruim acordar de madrugada e pra vender bala no trem

Se eu pudesse eu tocava em meu destino.Hoje eu seria alguém, seria um intelectual. Mas como não tive chance de ter estudado num colégio legal

Muitos me chamam de pivete

Mais poucos me deram um apoio moral

Se eu pudesse eu não seria um problema social.”


Ouvindo essa canção interpretada por Seu Jorge, fico a pensar em milhões de crianças e adolescentes que vivem a margem da sociedade sofrendo os desmandos do poder público e da sociedade que implacavelmente os negligencia.

A dolorida situação das crianças de rua em nosso país nos deixa absolutamente boquiabertos com a frieza da população que os enxerga como "coisas". Infelimente, milhares de meninos e meninas dormem nas ruas das grandes cidades tupiniquins, cheirando cola, se prostituindo, tendo a vida e o futuro destruídos pela dor e o pecado. As estatísticas mostram que 75% destas crianças têm laços familiares o que aponta o caos existente nas famílias brasileiras.

Interessante que lidamos indiretamente com estas crianças todos os dias. Passamos por elas nos sinais, as vemos dormindo embriagadas pelo álcool a pleno luz do dia ou ainda promovendo pequenos furtos nos centros de nossas cidades, ou até mesmo "trabalhando" como "avião" nas favelas. Entretanto, em virtude da sindrome "umbiligal" que norteia a alma do cidadão pós-moderno, encontramos-nos como que anestesiados tratando os excluídos sociais como lixo descartável.

Paul Hiebert, diz que o ser humano tem a tendência de ver pessoas que não são parte do seu contexto social como parte da paisagem, ou um pedaço de mobília. No evangelho de Marcos, capitulo oito, Jesus trata de um assunto extremamente relevante. O texto diz, que ao curar um cego, a primeira imagem vista por este, era de homens como árvores.

Por acaso você já se deu conta de que temos uma enorme facilidade de coisificar a vida? Jesus, ao perceber que o cego enxergava pessoas como arvores, não hesitou em tocá-la novamente até que de fato o milagre acontecesse.

Lembre-se, meninos de rua não são arvores, ou objetos aos quais descartamos segundo os nossos interesses. Crianças precisam ser respeitadas, valorizadas, precisam de escola, saúde, dignidade, limites, amor.

De que forma você as têm enxergado?


Pense Nisso!

Renato Vargens

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