quinta-feira, 20 de maio de 2010

Depois que me aposentei ela resolveu se aposentar de tudo na vida.

É muito difícil o casamento de nossas esquisitices. Ora, quando se casa na juventude tem-se que fazer muitos ajustes visando o bom convívio. Então, tudo ganha rotina. No entanto, quando se tem que fazer isto outra vez, no tempo da vida em que você está a dificuldade é ainda maior, pois, agora, ambos, marido e mulher, olham um para o outro e se perguntam: O que foi que aconteceu com ele [a]?

Sim! Pois, agora, com a idade, e depois de anos de bom convívio dentro das dinâmicas anteriores, nem sempre se consegue explicação fácil para as rabugices que começam a acontecer.

No entanto, vocês dois precisam conversar sem brigar, e, assim, tentarem dizer claramente um para o outro no que vocês presentemente se sentem mal em relação ao outro. E, desse modo, necessitam buscar fazer concessões um ao outro.

E mais:

Vocês dois precisam aprender a se perguntar sempre:

Se a amo, e se desejo viver com ela o resto da vida, e, além disso, se creio no amor dela por mim, por que então não faço o meu melhor em relação a dar a ela conforto, evitando aquilo que, não sendo essencial, gera mal estar nela?

Ora, na prática o que lhes propus [pois, é para vocês dois] como questão, é ainda algo muito menor do que o que Jesus mandou que fizéssemos, que é nos pormos no lugar do outro, ele nos amando ou não, e, assim, agirmos de acordo com o que gostaríamos que o outro fizesse a nós, se nós fossemos ele.

Falando de modo prático, sugiro o seguinte:

1. Que você fale com ela acerca de como você se sente;


2. Que você peça a ela para dizer como ela se sente;


3. Que vocês dois dialoguem em amor, evitando discussão e gritaria, e, portanto, apenas conversando, sem acusação, sem dizer “você é assim”, mas apenas “eu me sinto assim em relação a isso”; e, por fim, buscando agir de modo simples, porém, evitando as coisas que irritam mutuamente;


4. Que vocês não ressuscitem zumbis; ou seja: que não evoquem temas e situações do passado, atendo-se, assim, apenas ao dia de hoje; pois, “basta a cada dia o seu próprio mal”;


5. Que vocês troquem cartas quando sentirem que o clima está potencialmente pronto para uma briga feia;


6. Que vocês estabeleçam novas rotinas nesta nova fase da vida; tipo: tempo solitário ou de leitura e trabalho em casa para cada um, conforme o que seja melhor, e, em tal caso, buscando sempre respeitar esse tempo como se o outro estivesse longe, trabalhando no escritório ou no trabalho de toda a vida antes;

 
7. Que sempre vejam se a discussão ou mal-humor tem a ver com o outro, ou se o outro é apenas o alvo no qual já nos viciamos em laçar nossas setas;


8. Que não tentem jamais mudar o outro; pois, somente o outro pode mudar a si mesmo;


9. Que sejam pacientes, mas não acomodados; que sejam sábios, mas não neuróticos; que busquem dar todo conforto ao outro, sem auto-anulação adoecida;


10. Que tentem resolver tudo sempre depois de fazer amor, pois, assim, raramente vocês terão qualquer coisa para resolver; bastando apenas que não sejam cínicos e não esqueçam o que está acordado como zona de conforto para ambos.

Além disso, saiba mais o seguinte:


1. Dê atenção ao lado lúdico da vida de vocês, e, assim, além de sexo, saia com ela e tentem se distrair na companhia um do outro.

2. Não se canse no caso de ela não melhorar o lado dela. Continue fazendo a sua parte, não para ser melhor do que ela, mas porque é assim que é o amor na verdade.

3. Não deixe que nenhuma amargura tome espaço em sua alma, e, se puder, faça tudo para que não cresça na dela também — e o único modo é perdoando sempre, antes de qualquer conversa.

4. Evite ficar tenso com tudo isto, pois, a tensão somente gera ansiedade, e, ela, creia: é contagiosa.

5. Não alimente nenhuma forma de exagero em você ou nela; e, se perceber que alguma coisa está ficando fora das proporções, fale com ela, mas sempre fugindo da gritaria e dos escândalos.

No casamento, uma das maiores tentações é sucumbir à idéia de “vitória relacional”. Ou de domesticação do outro. Ou mesmo a sua clonagem. Em todo caso o cônjuge passa a ser apenas um apêndice de conforto. A fim de que se consiga isto muita briga acontece, e, no fim, na melhor das hipóteses, tem-se um cônjuge subjugado, enquanto vive amargurado, triste e desenvolvendo raiva latente. Entretanto, hoje em dia, na maioria dos casos, o desfecho é a separação, e, no final, se houver alguma calma na reflexão, ambos concluirão que se fizeram mal apenas por desejaram subjugar o outro.


É o desgraçado “olho por olho, dente por dente”, que, no fim, gera um casal divorciado na alma, e sem olhos e sem dentes.



O mandamento de Jesus é não resistir o perverso.



Ora, a sua esposa não é perversa e nem o perverso. Portanto, se somos chamados a agir bem com aquele que é mau, muito melhor devemos agir com quem dizemos amar.


Todavia, não abuse do amor; nem do seu e nem do dela.


O amor jamais acaba, mas o amor erótico, no casamento, acaba sempre que as amarguras vão se acumulando, ainda que, por amor ao Evangelho, muita gente continue a se amar como irmãos, visto que o tesão se foi antes da hora pelo acumulo dos sentimentos ruins no coração.



Por último:

Sair para trabalhar somente para resolver esse problema não é a solução. Você não pode ficar seqüestrado por isto. Você já trabalhou muito. Se é hora de viver com mais calma, então é a hora. A solução não pode ser a fuga. Afinal, ela é a sua mulher, e, você não estará casado com ela se temê-la e se fugir dela.


Quanto ao mais, tentem ler a Palavra juntos, sem ser para discutir opiniões, mas apenas para um ouvir a leitura do outro, sem comentários; pois, até isto, quando alguém está sentido, muitas vezes leva a pessoa a usar até a Palavra contra o outro; ou, o outro, usar a Palavra para se defender.

O mais, meu irmão, o amor verdadeiro sempre resolve no curso do caminho excelente.


Receba meu carinho!


Ah! Ia esquecendo!


Nele, que faz o vinho no casamento ficar sempre melhor quando entregamos nossa falência de vinho nas mãos Dele.

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