sábado, 3 de novembro de 2012

Por que Sofrem os Justos?



            Um médico amigo, muito querido, contou-me certa vez como Deus o matriculou na "escola da simpatia". Ele quase já não era capaz de colocar-se no lugar das pessoas que se queixavam de dor. Isto é, tinha pouca empatia com elas. Em realidade, de tanto verem e ouvirem referências à dor, amiúde os médicos se tornam como que imunes a ela. Ele não conseguia entender por que os pacientes com cálculos renais, por exemplo, gritavam de dor. Dizia: "A coisa não deve ser assim tão ruim — elas devem estar fingindo um pouco — talvez para conseguir medicação. Como poderia alguém sofrer tanto assim?" Até que um dia acordou com pedras nos rins! A dor era exatamente como diziam; ele necessitava de medicação para poder suportá-la. Era terrível! Hoje meu amigo médico tem verdadeira empatia com a dor dos seus pacientes.


            Leio algumas das cartas que minha esposa Gwen recebe de mulheres que sofreram mastectomias (ablação do seio) ou que fazem exames gerais por causa de tumor no seio. Sabem que Gwen sofreu cinco operações de câncer — sua mastectomia ocorreu por volta de 1980. Elas clamam por simpatia e esperança. Gwen guarda algumas dessas cartas como se fossem um tesouro. Para ela, essas mulheres aflitas são como estudantes do sofrimento — há longo tempo que ela freqüenta a "escola da empatia de Deus". Passou por sofrimento e dor, e agora pode oferecer consolo, esperança e força. Gwen conhece a agonia de acordar com ataduras e sentir-se desfigurada.

            Existe uma escola de empatia do Espírito Santo; nela estão matriculados santos que foram provados, que passaram por grande sofrimento. Foram atirados de um lado para outro, tentados, provados, maltratados. A Bíblia fala de uma "comunhão dos seus sofrimentos (sofrimentos de Cristo)" (Filipenses 3:10). É uma comunhão de sofrimentos compartilhados: provações profundas, misteriosas, inimagináveis. Jesus é o fundador desta escola e determinou o currículo. Ele provou que é possível passar por tudo isso, suportá-lo e diplomar-se como vencedor. Não recebemos nosso diploma até que nós, também, sejamos glorificados!

            Jesus sofreu angústia mental e física — foi rejeitado, escarnecido, suspeitaram dele, foi submetido a abusos físicos, riram-se dele. Sabia o que era ser solitário, faminto, pobre, odiado, caluniado; e também o que era sofrer vexame, e ser alvo de piadas. Ele foi chamado de mentiroso, disseram que sua vida era uma fraude, um falso profeta. Foi humilhado; sua própria família o interpretou mal; seus amigos de maior confiança perderam a fé nele; seus próprios discípulos o abandonaram e fugiram; um deles até chegou a negar que o conhecia. Finalmente, cuspiram nele, escarneceram-no, e o assassinaram! "Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado, que o Cristo havia de padecer" (Atos 3:18). Jesus simpatiza com todas as nossas mágoas e sofrimentos porque ele próprio passou por tudo isso: "Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado" (Hebreus 4:15).

David Wilkerson

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